quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Oya e o Ritual Àsèsè

Bom dia amigos e amigas!!!

Mais um ótimo dia para todos nós, no qual vamos conversar sobre o Ritual Àsèsè. Você já deve ter ouvido falar, não é mesmo?! Mas você sabe como e por que ele surgiu?

Caso saiba, vale a pena relembrar e, caso as suas respostas para as perguntas acima tenham sido não, vamos conversar mais sobre isso?!


"Em Kétu, havia um aclamado caçador, o grande líder de onde vivia, seu nome era Oduleke. Esse caçador criou uma menina que nasceu na cidade de Irá e era chamada de Öya.
Oduleke gostava muito de Öya, que se tornou sua filha predileta, conquistando lugar de destaque entre o povo.
Quando o caçador faleceu, Öya ficou muito triste, mas mesmo diante da tristeza, queria homenagear Oduleke, seu pai adotivo, então, reuniu todos os instrumentos de caça do mesmo e enrolou-os em um pano branco.
Preparou todas as comidas que ele gostava em vida e ao longo de 7 noites, dançou e cantou em vigília, em volta de uma fogueira com os objetos de caça.
Com seus ventos, Öya levava o som dos seus cânticos à todas as cidades, chamando dessa forma, todos os caçadores para homenagear Oduleke.
Após a sétima noite, acompanhada pelos demais caçadores, ela embrenhou-se na mata e, aos pés de uma frondosa árvore, colocou os objetos de caça. Nesse momento, um pássaro Agbe partiu voando dos objetos em direção ao Òrun (céu).
Olorum  (Deus) presenciou toda homenagem e. emocionado, outorgou à Öya o poder de encaminhar todos que morressem aos espaços do céu, razão pela qual recebeu o nome de Öya Mësan Orun (senhora dos 9 céus).
Desde então, todos que partem para lá são levados por Öya. Mas, antes, em alusão à história, os parentes e amigos, reúnem-se para fazer uma vigília (Ajeje em Yorùbá) em homenagem ao ente que se foi.
Há uma grande preocupação para que, durante a cerimônia, a vela permaneça acesa, representando a fogueira feita por Oya em homenagem à Oduleke."*

*Fonte:  Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi

Neste ritual, independente de Orixás a cor das vestimentas é sempre branca, sendo assim, seguem opções de tecidos nesta cor.

 
 
Mais uma vez, obrigada pela presença e te aguardo amanhã para mais um bate-papo.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Oxumarê

Bom dia amigos e amigas!!!

Hoje vamos conversar um pouco mais sobre Oxumarê, suas características e sua origem.

Ahoboboy! Ahoboboy Oṣùmàré!
(Cubra-me com seu arco-íris senhor das águas supremas). 


É um Deus originário do Mahi e cultuado no Jeje, onde é conhecido como Dan (a serpente - arco-íris). Em sua ambigüidade, apresenta os aspectos masculino e feminino, embora isto não diga respeito a diferença de sexos, mas a polaridade cósmica.
O culto a Dan foi implantado em Dah, fundando o Dahome, atual República Popular do Benin. Na Nação Ketu o aspecto feminino de Oxumarê é simbolizado pelo Orixá Iyewa.
Já na Nação Angola, é conhecido como Hangolo ou Angorô.

Oṣùmàré é um Òrìṣà masculino que participará da evolução planetária por toda a eternidade. Sustentáculo do universo, deu luz às estrelas, movimento aos planetas e, por isso, governa os movimentos da Terra e desta ao redor do sol.
A ele pertencem as marés, assim como as fases lunares e solares. Seu movimento fez surgir os rios e as fontes, canalizou as águas do interior da terra para as vertentes, fazendo brotar a vida no mundo.
Dá energia às sementes para que se transformem em vegetais; produz as chuvas que permitirão às colheitas se transformarem no alimento do homem.

Como o arco-íris é o elo entre Olòdumàré e os homens, Oxumarê é a palavra divina de que Deus sempre estará presente entre nós. Se as sete cores do arco-íris são originárias da branca, considerada a síntese universal, Oṣùmàré tem, em si mesmo, a energia cósmica da transformação e dos movimentos contínuos da universidade em função da nossa evolução, dirigindo forças que representam o princípio da continuidade, da mobilidade e da riqueza (espiritual e material) que resultam em uma lógica simples: ninguém fica rico se estiver parado.

Apresenta-se de sete formas diferentes, numa relação mística com as cores do arco-íris, e tem múltiplas funções.
Mitologicamente seria andrógino e teria a tarefa de recolher a água caída sobre a terra, levando-a de volta às nuvens. O movimento de ir e vir, símbolo de renovação, também apresentado pelo ato da cobra trocar de pele, a atividade, a continuidade e a permanência, o movimento cíclico.

Em sua ambigüidade, apresenta os aspectos masculino e feminino, embora isto não diga respeito a diferença de sexos, mas a polaridade cósmica.

Oṣùmàré reside nas profundezas das águas, possuindo todas as riquezas ali existentes. Ao mesmo tempo, está ligado ao misterioso âmago do nosso inconsciente, à eternidade do nosso espírito que teve um começo, mas, jamais terá fim, representando, ainda, a roda da vida em constante modificação, a cada instante, a cada era.
Por outro lado, também habita as profundezas das florestas, da terra firme - onde os tesouros existentes estão sob sua guarda -, o consciente planetário, habitat de nossos ancestrais e de nossa individualidade.

É a serpente simbólica que todo o ser humano carrega em si mesmo, representada pela coluna vertebral

Seus toques principais são: bravum, Sato e o mudubi.
Suas contas são verde rajado de amarelo e amarelo rajado de preto.

Suas roupas utilizam tons de azul, de verde, marrom, traços suaves de dourado e podem conter branco, sendo assim, mostro, abaixo, alguns tecidos que podem ser utilizados para este fim.

Como vocês já sabem, para fazer encomendas, temos apenas até amanhã!!!! Faça agora mesmo a sua!

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E então, o que acharam da nossa conversa de hoje?? Tem algo a acrescentar? Deixe seu comentário!
Obrigada pela companhia e até amanhã!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Omolu/ Obaluaiê - Jeholu

Olá comunidade querida!!!

Hoje vamos conversar um pouquinho mais sobre Omolu/ Obaluaiê e a razão pela qual se tornou o Senhor das Pérolas!!!

Você conhece essa história??? 


No Brasil e em Cuba, como na África, Xapanã é prudentemente chamado Obaluaiê ou Omolu. É sincretizado com São Roque, são Lázaro, São Sebastião. As pessoas que lhe são consagradas usam colares: o lagidiba, feito de pequeninos discos pretos, o brajá feitos com búzios sobre postos, colar de miçangas marrons com listas pretas ou branco com listras pretas. Quando o deus é saudado pelo grito "Atotô!" Seus iaôs (novos na religião) dançam com roupas de tecidos mais rústicos com uma grande variedade de cores, que comungam juntas ou separados o branco, preto, vermelho, amarelo, bege, azul, vermelho terra, dentre outras. A cabeça também é coberta por um capuz de palha da costa, cujas franjas recobrem seu rosto. Na altura da cintura, mãos trazem um xaxará, feito de nervuras de folhas de palmeira, decorada com búzios, contas e pequenas cabaças que se supõem conter remédios. Dançam curvados para frente. Os atabaques tocam para ele um ritmo particular chamado opanije, expressão que encontramos, anteriormente, nas saudações que lhe são dirigidas na África.
A festa anual de oferendas de comidas chama-se "Olubajé", no decorrer da qual lhe são apresentados pratos de aberem, e pipocas dentre outros.
Como já sabemos, segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Neste dia, o chão do adro da Igreja de São Lázaro, na Bahia, é coberto de pipocas que as pessoas passam em seus próprios corpos para se preservarem de possíveis doenças contagiosas, associando, assim, numa mesma manifestação, a sua fé à força do deus africano e do santo católico.
Como filho de Nanã Buruku e originário, como ela, Iyewa, e Oxumarê, do país Mahi. Os "pejís" (altar) dessas três divindades são, por esse motivo, reunidos num mesmo ilê Orixá (quarto de santo).

-Vejamos agora a lenda que narra como Omolu se torna Jeholu, o Senhor das Pérolas.

Omolu foi salvo por Yemanjá quando sua mãe, Nanã Buruku, ao vê-lo doente e coberto de chagas, abandonou-o numa gruta perto da praia.
Yemanjá recolheu Omolu, o lavou com a água do mar e o sal da água secou suas feridas. Omolu tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes da varíola.
A rainha dos mares confeccionou, para ele, uma roupa toda de palha da costa, com a qual Omolu escondia as marcas de suas doenças. Era um homem poderoso, andava pelas aldeias e, por onde passava, deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, porém continuava sendo um homem pobre.
Yemanjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo. Ela pensou:
“Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja um homem pobre”. E ficou imaginando quais riquezas poderia lhe dar.
Sendo dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais. Tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum, que dera tudo a Yemanjá.
Esta resolveu então ver suas jóias. Tinha algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, com água do mar, vestia-se de espuma e se admirava com o reflexo de Oxu, a Lua. A senhora das águas salgadas se lembrou de que tinha uma grande riqueza, as pérolas que as ostras fabricavam para ela. Muito contente com esta lembrança, chamou Omolu e lhe disse:
“De hoje em diante, és tu quem cuida das pérolas do mar. Serás chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas”.

 (“Mitologia dos Orixás”, Reginaldo Prandi, 2005.)

Como citamos , acima, as cores que podem ser utilizadas na confecção das vestimentas sagradas para este Orixá e estão à disposição para encomenda!!!!

Lembre-se, nosso prazo de encomenda está se esgotando, sendo assim, precisamos nos apressar!

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Sua companhia, como sempre, é super agradável e já estou ansiosa para te rever amanhã. Até lá!

domingo, 18 de outubro de 2015

A Cultura Africana e Nós - parte 1

Bem-vindos queridos amigos e amigas!!!

Pensaram que eu havia esquecido de vocês, é?! De jeito algum!!!

Mas como hoje é domingo tive um dia cheio e não pude postar antes, mas não percamos mais tempo. Vamos conversar sobre a cultura africana e um pouco de sua influência sobre nós!


Vale começar nossa conversa pelo início, há milhões de anos atrás, citando que a África é reconhecida pela arqueologia como o território mais antigo habitado no mundo!

Com toda essa idade vêm, também, todo um histórico cultural, religioso, político, econômico, etc.

Não sei se você sabe, mas, hoje em dia, a África é composta por mais de 50 países e, aproximadamente, 1 bilhão de habitantes.

A verdade é que a história africana desde os primórdios foi relatada através dos olhos de viajantes e colonizadores europeus, com isso, a concepção de que essa cultura era primitiva é bárbara cresceu e se espalhou.

Devido a isso, grande parte da historiografia foi corrompida, manifestações tradicionais se perderam e crenças foram  misturadas, como chegamos a mencionar no post sobre Nanã, ao mencionar que é um Orixá assumido pelo povo Iorubá após algum tempo. Justamente devido as imigrações dos povos.

Atualmente historiadores fazem um grande esforço para recuperar essas importantes informações com o intuito de traçar uma linha temporal mais detalhada da identidade africana.

O lado bom é que os fluxos migratórios no próprio país e no exterior também preservou e difundiu as culturas tradicionais, combinando diversos aspectos de diferentes "tribos", como já mencionamos acima. Isso se deve, ainda, a herança notória que tem a religião dos Orixás de ser um legado oral, basicamente. Isso não significa que não há registros escritos.

Em geral, as civilizações africanas praticavam, em maior ou menor escala, agricultura, caça e pesca; alguns povos eram nômades e vagavam pelo deserto; alguns adotavam um território e construíam grandes impérios; alguns formavam pequenas tribos, outros grandes reinos, onde o chefe político e o sumo sacerdote podiam ser a mesma pessoa.

As diferenças geográficas, biológicas, climáticas, ambientais, de credo representam a grande riqueza precedida por clãs de linhagem ou classes sociais específicas deste imenso e resistente país que, sob muita destruição e silêncio, conseguiu influenciar e sobreviver ao redor do mundo e contagiando com a tolerância.

É de conhecimento de nossa comunidade que os africanos reverenciam os espíritos da natureza, aceitando a coexistência de forças desconhecidas, a pura essência da religião - sendo considerados povos animistas pelos europeus. Eles possuem, também, uma variedade de mitos que explicam suas origens.

Mas, para quem não tem ciência, existe, ainda, no continente africano, outras religiões como o islamismo e o cristianismo.

Bom pessoal, o texto já está ficando longo, sendo assim, vamos continuar essa conversa na semana que vem falando da arte, dos principais povos e da influência para conosco, ok?!

De qualquer forma, conto com sua presença amanhã para mais uma conversa relacionada a querida religião dos Orixás.

Não se esqueça de conferir os tecidos africanos abaixo e fazer agora mesmo sua encomenda, afinal, estamos no fim da linha!!!!

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Vejo você amanhã!!!

sábado, 17 de outubro de 2015

Iemanjá e a União

Olá, olá, comunidade querida!!!!!

Mais um final de semana para conversarmos sobre a senhora das águas do mar...

Você sabia que além de rainha do mar ela é a senhora da união e da reunião?!


Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás Iorubanos, enquanto a maternidade dos Orixás Daomeanos é atribuída a Nanã. Por isso à ela também pertence a fecundidade.

Comparada com as outras divindades do panteão africano, Yemanjá é uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.

Pelo sincretismo, muita água rolou. Para Yemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Glória que foi assimilado, em parte, por muitos ramos da Umbanda. É fato comprovado que sua imensa popularidade se deve também  pelo caráter de tolerância, aceitação e carinho. É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o mar, sua morada, local onde  os devotos  deixam –lhes presentes e oferendas.

Apesar dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Yemanjá à função da maternidade, pode estabelecer-se uma boa distinção entre esse conceitos. As duas não rivalizam, cada uma domina a maternidade num momento diferente.

A senhora dos oceanos, rainha das águas salgadas, é regente dos lares, protetora da família, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento.

Numa Casa de Santo, Yemanjá atua dando sentido ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e  interligando; proporcionando sentimento de irmão para irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai/ mãe para filho e vice-versa.

A necessidade de saber se aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Yemanjá, para que não morra dentro de nós o sentido de amor ao próximo. É a preocupação e o desejo de vê-los a salvo, sem problemas, é a manutenção da harmonia.

É ela, ainda, que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo do seu reino. É quem controla as marés, é a praia em ressaca, a onda do mar, é maremoto. Junta-se a Oxalá complementando o Princípio Gerador Feminino.


Iabá geradora do sentimento que vai dar sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe, filhos e irmãos, tornando-os coesos. Rege as reuniões amigáveis, os aniversários, as festas de casamento, todas as comemorações familiares. É o sentido da união por laços co-sanguíneos ou não.

E você, sabia de todas as propriedades da rainha dos oceanos e dos mistérios que neles habitam???

Incrível, não?!

Agora, vamos dar uma olhada nas outras opções de tecidos africanos verdadeiros que você pode encomendar e utilizar na vestimenta sagrada para Iemanjá?!

Lembrando que temos apenas mais 3 dias para encomendas!!! Faça agora mesmo a sua!

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Como sempre, sua companhia é super agradável!! Te espero aqui amanhã!!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Águas de Oxalá - Parte 2

Olá pessoal querido!!!

Iniciando mais uma conversa prazerosa com essa querida comunidade que são vocês, vamos continuar com o segundo episódio sobre o ritual "as àguas de Oxalá".



Para que vocês tenham uma noção bem legal deste lindo e respeitoso ritual vamos narrar o mito africano que o criou. O texto é, na verdade, o resumo do texto de um livro.

“Oxalá rei de Ifón (reconhecido e aclamado por sua retidão de caráter e sua vestes sempre brancas e alvas) decide fazer uma visita a  Xangô, rei de Oyó.  Como é de costume, nada se faz sem que antes se consulte a fala do senhor do destino (Orumilá), trazida por Exu e vista por um Bàbáláwo (responsável por consultar o oráculo) através do jogo de destino. A fala era que rei do branco não fizesse, naquele momento, tal viagem pois a mesma teria aspectos negativos, sombrios, sofrimentos ou até mesmo risco de vida. Oxalá insiste veementemente na jornada, se propondo a suportar os sofrimentos e humilhação necessários. Sendo assim, no intuito de minimizar tais negatividades, o jogo determina que Oxalá  leve 03 mudas de suas vestes brancas, sabão da costa, òri (banha animal, sendo para uns do carneiro, para outros do boi, e para alguns do búfalo,  também conhecido como limo da costa) e que ele siga em silêncio absoluto e sem negar nada que lhe seja pedido.

No caminho encontra Exu que lhe pede para ajudá-lo a levantar uma barrica de azeite de dendê. Ao fazê-lo, o dendê derrama sobre ele sujando seu corpo e sua roupa branca. Exu sai rindo da situação. Oxalá se lava nas águas de um rio com o sabão da costa, se imanta com o òri (passando sobre a pele), veste uma das mudas de roupa que levara e despacha ali as sujas.

Mais adiante, Esu pede-lhe ajuda com um pote de Adin (óleo) e exatamente como da outra vez o óleo derrama sujando o corpo e a roupa branca de Oxalá. Exu se afasta zombeteiro. Novamente Oxalá se lava nas águas de um rio com o sabão da costa, se imanta com o òri, veste uma das mudas de roupa que levara e despacha ali as sujas.

Ainda no caminho Exú surge de novo – pois é, DE NOVO! -, pedindo-lhe que o ajude, desta vez com um saco de carvão e novamente se suja.  Oxalá que repete pela terceira vez o ritual, se lava nas águas de um rio com o sabão da costa, se imanta com o òri, veste uma das mudas de roupa que levara e despacha ali as sujas.

E assim, seguiu o caminho que ainda era longo, sem ter mais material para banho ou troca de roupa.
Próximo aos limites do reino, Oxalá encontra, perdido nos campos, o cavalo branco com o qual havia presenteado Xangô e, resolveu levá-lo de volta para o dono.  Oxalá, que a esta altura já estava bem sujo, é tido, pelos guardas, como ladrão do cavalo do rei. Ele é agredido, jogado na prisão do palácio e lá fica esquecido por 07 anos. Neste tempo, o reino de Xangô enfrentou muitos problemas, entrou em decadência com secas, epidemias, doenças e mortes. Xangô procura um Bàbáláwo que lhe diz: Um homem que usa roupa branca foi preso injustamente. O que está acontecendo é uma revolta natural pela injustiça cometida.

Xangô junta seus soldados e vai fazer uma busca nas prisões. Oxalá é encontrado tendo o corpo e a roupa branca cobertos de lama, poeira e totalmente alquebrado (curvado por doença). Imediatamente o grande Oba (rei) Xangô se prostra aos pés de Oxalá, desolado.
Ordena que levantem Oxalá, o levem para o palácio e busquem água na fonte, em sucessivas viagens silenciosas, para banhá-lo. Tudo no mais profundo silêncio... Oxalá é banhado, vestido com novas roupas brancas e alvas, é tratado e devidamente alimentado. Após seu restabelecimento ele decide retornar à Ifón. Xangô pede a Ayra que o acompanhe sendo-lhe fiel e companheiro para sempre, sendo ele as pernas e o eco da voz de Oxalá.

Xangô determina que o ocorrido seja relembrado por todos eternamente, fazendo-se anualmente, em profundo silêncio de vergonha, respeito e redenção, uma procissão para colher água da fonte para Oxalá, lavando-se os sofrimentos.
Determina ainda que os filhos deste Orixá não poderão montar a cavalo ou usar objetos feito com o couro deste animal.

Oxalá visita Òsàgiyán em Èjìbò em agradecimento as inúmeras buscas que ele fizera, a várias Terras à sua procura. Òsàgiyán o recebe com grande festa, com muita fartura de comida branca, entre elas o Iyán (inhame da costa pilado)”(*).

O ritual completo é, em casas mais tradicionais, feito em quatro momentos e seguido de três domingos subsequentes com muita reza e festividade. Os domingos de festa cumprem uma etapa fundamental das obrigações.

Hoje, narramos o mito. Na próxima sexta-feira falaremos a respeito do primeiro domingo de Oxalá.

E então, alguma dúvida? Estamos a seu dispor para esclarecê-las.


*(Texto é um resumo da narrativa do mito do livro “As Águas de Oxalá” de José Beniste)

Abaixo, temos mais opções de tecidos africanos que podem ser encomendados para confecção da vestimenta sagrada de Oxalá.

Lembre-se, o prazo está acabando, temos apenas até dia 20/10 para aceitar encomendas!!!

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Obrigada por mais uma conversa e até amanhã!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Oxóssi e Corpus Christi

Muito bom dia amigos e amigas de nossa comunidade!!!!

Hoje vamos conversar um pouco sobre o histórico sincretismo religioso e a sua influência na cultura e religião africana no Brasil, com ênfase na data festiva dedicada ao pai Oxóssi.


Não sei se você está lembrado(a) de uma aula de história do Brasil onde os professores falam sobre a escravidão e o sincretismo religioso. Talvez ainda das inúmeras novelas ou filmes, que retrataram este momento de nossa história com recheio de artistas talentosos.

Bom, se não está lembrado ou não teve essas informações, não tem problema, vamos conversar sobre elas agora.

Como nós sabemos, até mesmo através de muitas piadas referente aos portugueses e a colonização do nosso país por eles, o povo português foi o povo europeu que realmente dominou o Brasil, mesmo que tenhamos tido imigrações de outras nacionalidades em diversos momentos da história. Com esse domínio, além de roupas, acessórios e outros materiais, eles trouxeram escravos da África para o Brasil. Até aí você já sabe, certo?! 

A questão é que a partir daí, como os senhores (brancos) faziam questão de dominar até mesmo as crenças dos escravos como forma de conter uma possível reação - lembrando que os escravos eram, normalmente, fortes e versáteis - eles os proibiram de manter as representações simples de Orixás (em geral pedras e potes de barro) e de reverenciá-los, bem como as festas em prol desta crença. Como punição para os que não obedecessem, chibatadas e passar a noite ao relento amarrado sem água e comida eram apenas o começo. 
Para evitar as punições, mas sem conseguir conter o imenso amor por seus Orixás (vale citar que muitos escravos trouxeram pequenas pedrinhas da África da forma como puderam para continuar louvando seus deuses) eles passaram a fingir a conversão para o catolicismo colocando imagens dos santos católicos em simples pedestais em suas senzalas e, escondiam atrás da toalha, que era comprida, suas representações dos Orixás, sendo assim, enquanto seus senhores estavam acreditando que eles reverenciavam e faziam festa para o catolicismo, eles, de fato, mantinham sua crença no candomblé.

Assim surgiu o sincretismo religioso!

Com isso, anos e anos de comemorações para Orixás em datas comemorativas de santos católicos construiu a cultura afro-brasileira intrínseca ao catolicismo, mesmo sendo 2 religiões diferentes. Apesar de muitas pessoas não encontrarem uma razão para manter as datas de festas paralelas e de muitas casas de santo terem abolido o sincretismo religioso como instrumento de identificação, não se pode negar que existem algumas analogias, como opina o Ogan (cargo masculino dentro de uma casa de santo) e escritor José Beniste. Além disso, festas tão célebres da nossa cultura seriam descaracterizadas sem os candomblecistas que fazem parte delas, como a Lavagem do Senhor do Bonfim sem as Yalorixás e suas águas de cheiro - opinião de Pai Wellington de Omolu e de Pai dofono de Oxóssi.

Na minha opinião a analogia foi feita de propósito pelos africanos da época - o escritor mencionado acima também diz isso - assim podiam cultuar livremente seus Orixás em grandes festas e, além do mais, a cultura africana chegou aqui e, devido a todo o curso da nossa história, se moldou no que é hoje, com o sincretismo, sendo assim, acho que faz parte de nós, mesmo que eu não veja problema algum modificar datas se for conveniente para cada casa. Afinal não há uma ligação espiritual, mas sim histórica.

O exemplo de hoje a respeito desse assunto é o fato de a festa de Oxóssi  ser comemorada no dia de Corpus Christi. Mas afinal, você sabe o que é Corpus Christi (palavra do latim que significa Corpo de Cristo)?.

Grandes terreiros de Candomblé do nosso país como Ilê Ase Opó Afonjá, Engenho Velho e Gantois preservam a tradição da comemoração de Oxóssi no mesmo dia do ritual católico que representa o alimento espiritual.
Esse ritual católico que surgiu como forma de reforçar a presença de Cristo no pão sagrado, foi instituído pelo Papa Urbano IV em 1264. A comemoração inclui grandes procissões pelas ruas e "tapetes" longos, coloridos e com desenhos religiosos feitos de serragem colorida, areia, flores, borra de café, etc. Essa tradição surgiu em Portugal, mas veio para o Brasil com os colonizadores.

Pra que você entenda um pouco mais da relação, vou te explicar o significado do ritual rapidamente. Um dos dogmas da igreja é de que o pão (hóstia) ao ser consagrado pelas palavras e imposição do padre durante a missa torna-se o corpo de Jesus e o vinho, seu sangue e, por isso, as pessoas saem em procissão acompanhando a Eucaristia (outro nome para a hóstia consagrada), pois, para os católicos, o ostensório (objeto em formato de sol) carrega o próprio Jesus.

Este ritual é realizado em uma quinta-feira conciliando com o dia em que é cultuado Oxóssi. Além disso, Jesus nas formas de pão e vinho representa o alimento e Oxóssi é o provedor da comunidade que protege, alimenta seu povo através do seu domínio sobre as matas e sobre a arte da caça. A festa de Oxóssi também celebra prosperidade e fartura, sendo assim, nas casas que organizam uma grande festa nesta data (Casa Branca, Gantois e Opó Afonjá BA - mais antigos terreiros de Candomblé) a comida é compartilhada em grande quantidade como uma representação da partilha do Orixá e sua comunidade. A distribuição respeita regras de hierarquia.

Portanto, São Jorge não é Ogum, Santa Bárbara não é Iansã, Senhor do Bonfim não é Oxalá e São Sebastião não é Oxóssi, mesmo que nossa história ainda seja belíssima com a associação das crenças. E de certa forma, muitos ancestrais africanos sofreram com o intuito de preservar o amor e culto aos Orixás em meio a tolerância.

Abaixo, mais algumas opções de tecidos africanos verdadeiros que podem ser utilizadas para confecção das vestimentas sagradas de Oxóssi.

Lembrando que, nosso prazo para encomendas dos tecidos está esgotando, portanto, faça a sua agora mesmo!!!

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Nossa conversa de hoje acabou, mas te vejo de novo amanhã!!! ;-)