sábado, 7 de novembro de 2015

Iemanjá - Lenda por Pierre Verger

Queridos e queridas, muito bom diaaa!!!

Já chegamos a conversar por alto sobre o assunto da lenda de Iemanjá contada por Pierre Verger em seu livro Lendas africanas dos Orixás, para o qual teve a participação do famoso artista Carybe e seus célebres desenhos.

Como é sempre interessante conhecer mais a fundo dessas lendas que caracterizam e, ao mesmo tempo, mistificam os Orixás, o que acha de conferir a lenda na íntegra?


Odô Iyâ Yemanjá Ataramagbá,
ajejê lodõ, ajejê nilê!

Iemanjá era a filha de Olokum, a deusa do mar. Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos. Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tomaram-se orixás.
Um deles foi chamado Oxumarê, o Arco-Íris, "aquele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos".

De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.

Cansada da sua estadia em IféIemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra", como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.

Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.

Iemanjá continuava muito bonita. Okere desejou-a e propôs-lhe casamento. Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:
"Jamais você ridicularizará da imensidão dos meu seios."

Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito. Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso. Voltou para casa bêbado e titubeante.
Ele não sabia mais o que fazia. Ele não sabia mais o que dizia.

Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.
Okere, vexado, gritou:
"Você, com seus seios compridos e balançantes! Você, com seus seios grandes e trêmulos!"

Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.

Certa vez, antes do seu primeiro casamento, Iemanjá recebera de sua mãe, Olokumuma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:
"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã. Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."

Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu. A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio. As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de sua mãe Olokum.

Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher. Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, chamada, ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho.

Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita. Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.
Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.

Kawo Kabiyesi Sango, Kawo Kabiyesi Obá Kossôl "
Saudemos o Rei Xangô, saudemos o Rei de Kossô!"

Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder. ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos, um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame, e um prato de "gbeguiri", feito com feijão e cebola. E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar. Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva.

Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.
Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.
Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.
Ouviu-se então: Kakara rá rá rá ...
Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.
Ela abriu-se em duas e, suichchchch ...

Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe OlokumAí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.
Seus filhos chamam-na e saúdam-na:
"Odo Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais. Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérolas."

Ela tem filhos no mundo inteiro. Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-Ia e agradá-la.

Odô Iyá, Yemanjá, Ataramagbá Ajejê lodôl Ajejê nilêl
"Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão. Paz nas águas! Paz na casa!"

E então, gostaram? A lenda está escrita exatamente como foi escrita no livro pelo autor, fiz alterações apenas na formatação.

Abaixo, mas alguns exemplos de tecidos africanos verdadeiros que podem ser adquiridos por você agora mesmo! Não perca tempo e faça a sua encomenda!

E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado



Obrigada pela sua presença novamente e até amanhã!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Águas de Oxalá - Parte 5

Querida comunidade!

Em mais um sexta-feira, nosso famoso dia do branco, vamos dar continuidade à conversa sobre o famoso ritual "as Águas de Oxalá".

Este é o dia do festejo, a comemoração do retorno de Oxalá ao reino de Oxaguiã. Estão lembrados do mito? Se não, vale a pena relembrar lendo os posts anteriores a respeito que seguem abaixo:

Parte 1 - http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/sexta-feira-aguas-de-oxala-i.html
Parte 2- http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/aguas-de-oxala-parte-2.html
Parte 3 - http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/aguas-oxala-ii-o-banho.html
Parte 4 - http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/aguas-de-oxala-parte-3.html


No sábado são realizados os ritos de sacrifício a Òsàgiyán e é feito o jogo do ìyán (modalidade de jogo que ainda é feita em terras africanas por ocasião das colheitas). A raiz de inhame é o elemento que se apresenta do jogo para a cozinha e dela direto para o barracão - como prato do preceito, em bolas de inhame pilado -, alimento de expansão do Axé, é o simbolismo da Tradição dos Òrìsà.

No domingo á tarde, realiza-se o Ìpàdé e a noite á festa do pilão (Ojó Odó). Os três domingos são uma sequência de ritos interligados.

As filhas arrumadas e na mais perfeita ordem trazem bancos, panelas, balaios, o pilão e os atori (pequenas varetas), enfeitando tudo com primor.  Os itens mencionados devem conter as comidas votivas do Òrìsà, bem como sua bebida, o Aluá (fermentação de grãos de milhos moídos). 

Cadeiras especiais são posicionadas no meio do barracão e sentam-se os Òrìsà. Uma filha de Oya empunha o estandarte branco e, em seguida, inicia-se o ritual dos atori que consiste em uma procissão com todos os presentes, passando semi curvados à frente dos Òrìsà para serem tocadas pelas pequenas varas.

Após, as comidas são servidas ao som de cânticos em um belo festejo que rememora a recepção feita por Òsàgiyán no retorno de Òsàlá. Depois de todos terem sido alimentados, outro cântico anuncia a retirada dos utensílios a fim de liberar o espaço para o ato final, o Siré

Òsàgiyán é o Elémòsó funfun (senhor dos ricos ornamentos branco) e o Bàbá Olórogún (pai das batalhas, das lutas), o poderoso guerreiro que vence as batalhas usando a estratégia. 

Neste domingo as cantigas são mais aceleradas, como uma representação da dança do Guerreiro do universo, o Senhor da Guerra e da Paz. 

Aparecem as contas com seguí, símbolo que o dignifica como único Orixá funfun Ajagunan (guerreiro) e as suas vestes trazem o azul e o prata como parte presente.

O Siré será finalizado com a roda do pai do branco.

O ciclo e todas as festividades das Águas de Oxalá, de renovação da existência e expansão do Axé será encerrado num ato de confraternização geral, com reverencia a Olodumare, e, assim, os òrìsà vão embora.

Òrìsà nlo e wá kébá (Orixá vai embora e nos deixa a sua proteção)!

Abaixo, coloco opções de tecidos africanos verdadeiros para confecção de vestimentas de Oxaguiã.

Lembrando que, para garantir o seu tecido com exclusividade na estampa você já pode e deve fazer sua encomenda, antes que o prazo final chegue.

Se você tem interesse nos tecidos e/ou Richelieu, não perca mais tempo e faça a sua agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado



E assim, essa linda conversa sobre "As Águas de Oxalá" termina... Até amanhã queridooos!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Oxóssi e os índios

Olá, olá comunidade!!!!

Se existe uma coisa que todos adoram é comer, não é mesmo?! Em geral, não importa o tipo de comida e nem quando, mas o que importa é que tenha bastante!

Claro que nem tudo é apreciado por todos, mas não são muitas coisas que costumam desagradar os filhos de axé, não é mesmo?!

Você sabia que essa fartura de alimentos que tanto amamos vem de Oxóssi?


Ọ̀ṣọ́ọ̀si é o rei de Keto e filho de Òşàlà e Yemanjá, ou, nos mitos, de Apáòká (jaqueira) e, e algumas lendas é  irmão de Ògún e de Èşù. Seus principais símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, Ìrùkèrè (ornamento de rabo de boi, usado por reis e sacerdotes).

Como sabemos, é o Orixá da caça, tendo sido caçador de elefantes, animal associado à realeza. Vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. 

Segundo uma vertente, as abelhas lhe pertencem e representam os espíritos dos antepassados femininos. 

Naturalmente, relaciona-se com os animais, cujos gritos imitam a perfeição e, sendo valente, ágil e generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras.
Domina, ainda, a fauna e a flora, gerando progresso, riqueza e a manutenção do sustento ao homem, através da alimentação em abundância.

Está estreitamente ligado a Ògún, de quem recebeu suas armas. Inclusive, de acordo com um mito, Ọ̀ssanyìn apaixonou-se pela beleza do senhor da caça e prendeu-o na floresta. Seu irmão penetra na mata para  libertá-lo com suas armas de ferreiro. Mas contaremos esta lenda na íntegra em outro post mais à frente.

Também é associado, ao frio, à noite, à lua, com isso, suas plantas são refrescantes.

Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa, com nuances de prata, branco ou dourado. Em algumas casas o adornam um elegante chapéu enfeitado de penas verdadeiras de certas aves. 

Sua dança simula o gesto do caçador que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pulando e girando sobre si mesmo. É uma das belas danças do Candomblé.

Costuma passar aos seus filhos a capacidade de  concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.

Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que seu irmão.

No dia-a-dia, o encontramos no almoço, no jantar, em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento.

Segundo Pierre Verger, o culto ao rei de Ketu, é bastante difundido no Brasil, onde tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos. Os filhos consagrados a ele foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba.

O mito do caçador explica sua rápida aceitação aqui, pois se identifica com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata como região tipicamente povoada por espíritos de mortos, os quais foram igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, ou seja, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.

Ọ̀ṣọ́ọ̀si é o que basta a si mesmo, entretanto, a ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Ọ̀ṣun, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, algo importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento. Deste relacionamento nasce o Orísà Logun. Você pode saber mais sobre ele nos posts que fizemos anteriormente clicando em:

Dia de Logun Edé - http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/quinta-feira-dia-de-logun-ede.html
A dualidade de Logunedé - http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/a-dualidade-de-logunede.html


Seguem algumas opções dos tecidos africanos verdadeiros que podem ser utilizados nas vestimentas sagradas do senhor da caça. Como vocês já sabem, é possível garantir o de vocês fazendo a encomenda e, com isso, exclusividade na estampa.

Se você tem interesse nos tecidos e/ou Richelieu, não perca mais tempo e faça a sua agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado




Aguardo vocês amanhã! Até lá!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A história de Xangô

Bom dia comunidade querida!!!

Como todos sabemos Xangô é o senhor da justiça, um guerreiro valente e, por muitas vezes, violento e impetuoso. Xangô é o único Orixá que viveu, de fato, como humano e foi divinizado após sua partida ao outro mundo.

Ele teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó (Rei de Oyó), filho de Oranyan - mais famoso rei da nação yorubá, rei de Ifé e fundador da cidade de Oyó - e Torosi - filha de Elempé, rei dos tapás, que havia firmado uma aliança com Oranyan


O senhor da justiça cresceu no país de sua mãe e, mais tarde, instalou-se em Kòso (Kossô), onde, inicialmente, os habitantes não o aceitam por causa de seu caráter violento e imperioso, mas rendem-se à sua força posteriormente.

Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro com o mesmo nome do reino anterior, conservando assim, seu título de Oba Kòso, que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus oríkì (rezas).

Dadá-Ajaká*, filho mais velho de Oranyan e irmão co-sanguíneo de Xangô, reinava em OyóEle amava as crianças, a beleza das artes e possuía caráter calmo e pacífico, lhe faltando a energia exigida de um verdadeiro chefe dessa época, sendo assim, seu irmão mais novo o destronou e ele exilou- se na cidade de Igboho durante os sete anos do reinado daquele. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé debaàyàni

Depois que Xangô deixou Oyó, Dadá-Ajaká voltou a reinar, entretanto, em contraste com a primeira vez, ele se mostrou valente guerreiro, voltando-se contra os parentes da família materna do irmão, atacando os tapás.

Há quem diga que haviam dois Xangôs de origens diferentes: o mais velho seria Sàngó-Tápàde origem nupê (um outro nome para tapás) e tendo o carneiro como símbolo e o mais novo
seria Sàngó-Mési, de origem borgu (bariba), representado por um guerreiro montado a cavalo. Porém, parece ter sido uma má interpretação de informações, pois, se seu Sàngó-Tápà corresponde ao terceiro Aláàfìn Oyo, nascido em território tapá, Sàngó-Mési pertencia a uma época posterior ao seu reino. 

Um possível razão para o erro em questão é o fato de que existiam os Oyo Mési, os sete conselheiros principais de Aláàfìn Oyo ("fazedores de reis"), e, por outro lado,  que o povo de Oyó tornou-se famoso por sua cavalaria, organizada quatro reinos depois de Ajaká, na época do Aláàfìn Onìgbogi, o que não, impediu, que suas tropas fossem batidas pelos tapas, com os quais as relações estavam tensas desde a "morte" de Xangô.

Aláàfìn Onìgbogi teve que fugir para Gberê, em território bariba, onde ficou em exílio, assim como, seu sucessor. Mais tarde, quatro outros reis sucessivos viveram em Igboho, perto do território bariba.


Esse acontecimentos históricos, posteriores ao reinado de Xangô, puderam fazer crer na existência de um Sàngó-Mési-Bariba, quando, na realidade, tratava-se de três sucessores em exílio. 

*Dadá é o nome dado pelos iorubas às crianças cujos cabelos crescem em tufos que se frisam separadamente. 

Esse é um resumo da história para já termos uma ideia a respeito, mas voltaremos neste assunto mais à frente, assim, entraremos em maiores detalhes, mas já com alguma ideia sobre o assunto.

Abaixo, como de praxe, coloco algumas opções dos tecidos africanos verdadeiros que podem ser utilizados nas vestimentas sagradas do senhor da justiça. Você já pode garantir o seu fazendo a sua encomenda e, com isso, exclusividade na estampa.



Se você tem interesse nos tecidos e/ou Richelieu, não perca mais tempo e faça a sua agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado



E então, o que achou do nosso tema de hoje? Te vejo amanhã! ;-)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Irôko e a promessa não cumprida.

Bom dia queridos e queridas!!!!!

Hoje vamos conversar sobre um dos mitos de Irôko, ok?!

No começo dos tempos, as primeiras árvores plantadas foram os Irôkos. Na mais velha delas, morava seu espírito e ele era capaz de muitas mágicas e magias.

Irôko divertia-se assombrando os outros. À noite, saia com uma tocha na mão, assustando os caçadores e, quando não tinha o que fazer, ficava a brincar com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco.


Como fazia muitas mágicas, todos temiam a ele e a seus poderes, mesmo porque, quem o olhasse nos olhos, enlouquecia até a morte.

Numa certa época, logo após a grande guerra das trevas, nenhuma das mulheres das aldeias engravidava,já não havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi então, que as mulheres tiveram a ideia de recorrer aos mágicos poderes de Irôko, assim, juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco - não ousavam olhar para a grande planta face a face - e suplicaram ao espírito da árvore que lhes dessem filhos.

Já esperto e ligeiro ao lidar com o espírito humano, Irôko quis logo saber o que ganharia em troca. Sendo, em sua maioria, esposas de lavradores, prometeram-no o que os respectivos maridos tinham a oferecer no momento: milho, inhame, frutas etc.

Uma das suplicantes, chamada Olurombi, era mulher de entalhador e ele marido não tinha nada daquilo para oferecer. Sem saber o que fazer, e no desespero, prometeu dar a Irôko o primeiro filho que tivesse.

Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-nascidos. As jovens mães, felizes e gratas, foram levar as prendas prometidas e depositaram suas oferendas em torno do tronco. Assim Irôko recebeu milho, inhame, frutas, etc.

Olurombi contou toda a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ambos, naturalmente, apegaram-se demais ao menino prometido, sendo assim, no dia da oferenda, ela ficou de longe temerosa, segurando nos braços trêmulos, o filhinho tão querido.

O tempo passou… Olurombi mantinha a criança longe da árvore e, assim, o menino crescia forte e sadio.
Entretanto, em um belo dia ao vir do mercado, ela passava pelas imediações de Irôko, entretida que estava, quando, no meio da estrada e bem na sua frente, saltou o temível espírito da árvore.

Ele disse: Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te, então, num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa.
E transformou-a em um pássaro que voou para a copa de Irôko para ali viver para sempre.

O entalhador a procurou, em vão, por toda parte, mantendo o menino em casa, longe de todos.

Ao passar perto da árvore, era possível ouvir um pássaro que cantava o nome de cada oferenda feita a Irôko e, um dia, foi o próprio artesão que escutou o tal pássaro, que cantava:

“A que prometeu frutas trouxe as frutas. A que prometeu inhames trouxe os inhames. A que prometeu milho deu o milho. Só não cumpriu a palavra a que prometeu o filho.”

"Sim, só pode ser Olurombi, enfeitiçada por Irôko", ele pensou.

Ele tinha que salvar sua mulher! Mas como, se amava tanto seu pequeno filho? 

Pensou, pensou e pensou até que teve uma grande ideia! Foi à floresta, escolheu o mais belo lenho de Irôko, levou-o para casa e começou a entalhar. Da madeira entalhada fez uma cópia do rebento, com os doces traços do filho, sempre alegre, sempre sorridente - o mais perfeito boneco que jamais havia esculpido. Após polir, pintou o boneco com esmero, preparando-o com a água perfumada de ervas sagradas e vestiu a figura de pau com as melhores roupas do menino, enfeitando com ricas jóias de família e raros adornos. Quando pronto, ele levou o menino de pau para o espírito da árvore sagrada e o depositou aos pés da mesma.

Irôko gostou muito do presente. Era o menino que ele tanto esperava! E o menino sorria sempre, passando a sensação de alegria. Ele apreciou o fato de que ele jamais se assustava quando seus olhos se cruzavam, não fugia dele como os demais mortais, não gritava de pavor e nem lhe dava as costas com medo de o olhar de frente.
Ele estava feliz e embalando a criança, seu pequeno menino de pau, batia os pés no chão e cantava animadamente.

Tendo sido paga, enfim, a antiga promessa, Olurombi retornou à forma de mulher e, aliviada e feliz, voltou para casa, para o marido artesão e seu filho, já crescido e enfim libertado da promessa.

Alguns dias depois, os três levaram para Irôko muitas oferendas como espigas de milho, inhame, frutas, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore. Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e contentes com o retorno de Olurombi.

Até hoje todos levam oferendas a Irôko, porque ele dá o que as pessoas pedem.

E todos dão para ele o prometido, senão...

E então, gostaram? Você tem algo a acrescentar? Pode fazer um comentário! É bom que movimenta nossa comunidade ainda mais!

Como sabemos, abaixo, estão algumas opções de tecidos africanos verdadeiros que podem ser usados na confecção das vestimentas sagradas deste Orixá. E você pode adquirir fazendo sua encomenda enquanto há tempo!

Se você tem interesse nos tecidos e/ou Richelieu, não perca mais tempo e faça a sua agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado




Mais uma vez, obrigada pela agradável presença e até amanhã!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Exú, o mensageiro.

Olá, olá pessoal!!

Antes tarde do que nunca!!!

Em uma sociedade extremamente dependente da tecnologia dos meios de comunicação, uma coisa sobre a qual entendemos bem é a mensagem. Sabemos que podemos usar o facebook, o whats app, o próprio telefone para nos comunicarmos com nossos amigos, familiares ou colegas de trabalho.

Mas e quanto as mensagens que desejamos enviar aos Orixás, a Deus? Qual é a forma criada pela natureza mística para levá-la até lá, uma mensagem que atravesse mundos e tempos?


Esu é o 1º nascido da existência e, como tal, o símbolo do elemento procriado. Mensageiro dos Orixás, é o elemento de ligação entre as divindades e os homens, sendo assim, está em um tempo mais próximo do mundo terreno e, ao mesmo tempo, mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà. É um Orixá e sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais. Coerente com seu lugar mítico privilegiado, é ele que abre esse "corpus mitopoético" .

Princípio dinâmico e da existência individualizada, não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participando de tudo. Segundo Ifá, cada um tem seu próprio Exú e seu próprio Olorún em seu corpo, portanto o nome de Esu é conhecido, invocado e cultuado junto ao Orixá. E é Ifá quem revela e permite-nos sabê-lo.

Quem delegou esse poder à Exú foi Olorún ao entregar-lhe o àdó-iràn (cabaça contendo a força que se propaga) que está presente em seus "assentos". É uma cabaça de pescoço grande que, apontada a algo por este Orixá, transmite seu axé.

Por ser resultado da interação de um par, é o portador mítico do sêmen e do útero ancestral e, como princípio de vida individualizada, ele sintetiza os seus dois descendentes, por conseguinte, o símbolo da fecundidade por excelência, jamais tomando a forma de procriador.

Exú é cultuado tanto como lésè-égún quanto como lésè-orixá e, apenas por seu intermédio, é possível cultuar os Orixás e as Iyá-mi (mãe ancestre). Não é apenas Òjisé-ebo, mas principalmente Òjisé, o mensageiro, fazendo a comunicação entre tudo que é oposto.

É no seu papel de princípio dinâmico, de princípio de vida individual e de Òjise ou elemento de comunicação, que está indissoluvelmente ligado à evolução e ao destino de cada indivíduo e, desta forma, ele também é senhor dos caminhos, podendo abri-los ou fechá-los.

Enganosamente ou mal intencionados, os primeiros missionários que chegaram à África, o compararam ao diabo devido a algumas de suas formas, artimanhas e poderes atribuídos. Ele tem as qualidades dos seus defeitos, pois é dinâmico e jovial.

Como personagem histórica, Exú teria sido um dos companheiros de Odùduà, quando da sua chegada à Ifé.

Os tecidos africanos verdadeiros, que você pode adquirir, estão abaixo. Vale lembrar que fazendo sua encomenda agora mesmo, você garante o seu com exclusividade!

Se você tem interesse nos tecidos e/ou Richelieu, não perca mais tempo e faça a sua encomenda agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado




Nossa conversa, como sempre, foi super agradável! Até amanhã!

domingo, 1 de novembro de 2015

Cultura africana e nós - parte 3

Um ótimo domingo para todos nós pessoal!!!!

Continuando nossa conversa sobre a cultura africana e sua influência sobre nós vale pensarmos na arte. Quantos artigos de decoração com motivos africanos nós costumamos ter em casa para dar um clima rústico ou despojado ou colorido!?

Muitos artigos de decoração que conhecemos vieram dessa integração entre povos.


No início da história da arte africana grande parte da produção tradicional era feita para não ser vista, representando os antepassados e personagens místicos, e o material utilizado em sua confecção possuía um valor simbólico muito grande. Estas peças podem ser esculpidas, fundidas, pintadas, trançadas ou tecidas e utilizadas como adornos corporais, trajes e itens de uso sagrado ou cotidiano. Apresentam figuras geométricas, antropomórficas, zoomórficas ou antropo-zoomórficas que ensinam a humanidade a produzir e se reproduzir.

Assim como sua própria história, a arte africana também é muito antiga, existindo entalhes em rocha de 6 mil anos no Saara e devido a integração e comércio entre povos, como comentamos nos domingos anteriores, é possível verificar influência das artes egípcias no sul do país, bem como islâmicas e norte-africanas no sul do Saara. Se não tiver conferido os posts anteriores, basta seguir os links abaixo:




A cultura Nok, povo que viveu na Nigéria 500 a.C., tem as esculturas mais antigas de que se têm conhecimento. O conjunto de artefatos das tribos ocidentais, dos egípcios e dos indígenas do sul representa a variedade de materiais e inspirações existente.

Métodos mais complexos de produção foram desenvolvidos na África Subsaariana, em torno do século X. alguns dos mais notáveis avanços incluem o trabalho de bronze do Igbo Ukwu (séc. IX e X) e as magníficas esculturas em bronze, liga de metal e terracota de Ifé (do séc. XII a XV), muitas vezes ornamentados com marfim e pedras preciosas. A habilidade técnica presente nestas últimas, e sua representação extremamente naturalista foram vistas, até pouco tempo, como inspiração na Grécia Antiga.

Esses trabalhos se tornaram altamente prestigiados, principalmente na África Ocidental, muitas vezes sendo limitado à artesãos e restrito a realeza, como aconteceu com os Bronzes de Benim.

Outro tipo muito típico de produção artística africana são as esculturas em marfim (povos Ioruba e Bakongo). A metalurgia também era conhecida e utilizada para fabricar armas, ferramentas e adornos, sendo mais comum nas regiões de savana. 

Por sua vez, as famosas máscaras africanas possuem desenhos elaborados e são utilizadas em cerimônias e rituais. Representando um disfarce para a incorporação dos espíritos e a possibilidade de adquirir forças mágicas, as máscaras têm um significado místico e importante na arte africana sendo usadas nos rituais e funerais. São confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. Para estabelecer a purificação e a ligação com a entidade sagrada, são modeladas em segredo na selva. É possível conhecer o maior acervo da arte antiga africana no mundo visitando os museus da Europa Ocidental, uma vez que foram os artefatos que mais chamaram a atenção dos europeus. Alguns exemplos dessas máscaras são as Epa e as Gueledeé ou Gelede.

 Artefatos de Igbo-Ukwu (em bronze)

           
                                                   Máscara Epa                                                   Máscara Gelede

Também são muito conhecidas as danças e músicas tradicionais africanas, marcadas pelos batuques e movimentos corporais bem acentuados, como o rebolado. Um bom exemplo é o samba, a maior expressão da cultura afro descendente e é, hoje, intrínseco à cultura brasileira, mas há ainda outros estilos brasileiros que possuem o "dedo" do ritmo africano como o maxixe, choro e bossa-nova. 
Estilos musicais como o samba, blues, jazz, reggae, rap, surgiram graças a dispersão dos escravos africanos pelo Atlântico.

A capoeira, uma luta-dança praticada pelos antigos escravos que ganhou um espaço imenso, inclusive em competições é uma das expressões mais fortes da integração afro-brasileira, bem como a culinária africana, temperada com muitos condimentos de aromas fortes e picantes, com os quais se preparam pratos muito exóticos que incluem desde carnes, legumes e verduras, até insetos. É típico da África o leite de coco, óleo de palmeira e o azeite de dendê. Exemplos de pratos típicos são o vatapá, o caruru e o acarajé, muito comuns no Nordeste do Brasil e, cá entre nós, deliciosos!!!!

Um dos mais importantes aspectos da influência da escravidão no Brasil é o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás, da qual surge a umbanda, como chegamos a conversar no post sobre sincretismo religioso anteriormente. Se você ainda não teve a oportunidade de conferir, basta seguir o link: http://tudosobreorixastecidoafricanobordado.blogspot.be/2015/10/oxossi-e-corpus-christi.html

Mais uma vez coloco alguns exemplos dos tecidos africanos verdadeiros que você pode adquirir. Vale lembrar que fazendo sua encomenda agora mesmo, você garante o seu com exclusividade!

Se você tem interesse em algum dos abaixo ou outras opções, não perca mais tempo e faça a sua encomenda agora mesmo através de:
E-mail: tecidosafricanosebordados@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/tudosobreorixastecidoafricanobordado






Como sempre, sua companhia é super agradável! Te aguardo novamente amanhã! ;-)